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segunda-feira, 10 de março de 2014

O que eu aprendi nesses dezessete anos.

Um texto relatando o que mudou na minha forma de pensar e de enxergar o mundo nos últimos 17 anos.





Essa sexta faz 17 anos que eu nasci.
Sempre esperei por uma festa surpresa. Uma carta emocionante. Um vídeo feito pra mim.
Só que eu descobri que esse é o tipo de coisa que EU faria. Não minha família.
Já faz dois anos que fiz meus tão sonhados 15 anos.
E depois dos quinze é de praxe dizer como as coisas andam passando rápido.
Na verdade fazer 15 anos não muda nada extraordinariamente, pelo menos não as coisas que a gente esperava que mudasse.
O tempo parece passar mais rápido, você começa a enlouquecer com problemas "de adulto" e começa a fazer escolhas muito difíceis.
Mas ao mesmo tempo, eu acho que devo ter amadurecido mais nesses dois últimos anos do que amadureci durante o resto dos anos que já passaram.
São tantas mudanças, físicas e emocionais.
E são tantas escolhas importantes que você tem que fazer.
E o tempo não para. Ninguém te espera.
E esse ano resolvi parar para relembrar algumas coisas que mudaram nesses anos em que estou vivendo nesse mundinho.
Com cinco anos eu era uma lunática.
Achava que quando crescesse teria um castelo com parque de diversões e um lago cheio de tubarões, e talvez um zoológico. Além de, é claro, casar com o Leandro do KLB (risos eternos).
Ok. Eu não era lunática. Era apenas uma criança.
Eu era meio mercenária admito.
Ou não.
Talvez fosse apenas sonhadora. Afinal que criança não é sonhadora?
Lembro-me como se fosse ontem de eu tentando contar nos dedos em que ano faria 15 e 18 anos, consecutivamente, e da dificuldade dos cálculos achando que 2012 e 2015 iriam levar décadas para chegar.
Depois vieram os dez anos.
Idade fuck year.
Ano em que você completa os dedos da mão e começa a escrever de caneta.
Tenho que admitir que mesmo com tantas conquistas eu não gostei muito não.
Com dez anos comecei a me sentir diferente demais das outras crianças.
A minha timidez já era evidente e minha tendencia era sempre me isolar.
Nunca fui boa em fazer amigos. Nem nunca entendi muito bem o motivo ou como isso funciona.
E na realidade, nem sei se essa parte mudou muito.
Pelo menos esse isolamento despertou meu senso critico e observador, o que nem é de todo mal, afinal foi nessa mesma época que comecei a elaborar todos esses textos na minha caixola.
Com quatorze anos cortei minha franja e esse foi o primeiro grande divisor de águas da minha vida.
Me tornei vaidosa e acho que foi nessa época que acordei definitivamente para a puberdade.
Maquiagem. Emagrecer. Roupas. Moda. Garotos. Internet. Celular. Sonhos.
Uma verdadeira bomba explodiu na minha mão. Uma enxurrada de novidades.
E aqui estou eu. Dezessete anos.
A uns tempos atrás achava que se não encontrasse um namorado até os vinte, não conseguiria ficar noiva, casar aos vinte e cinco e iria ficar solteira para sempre.
Pois olhe as coisas que os adultos botam na cabeça das crianças.
Achava que se não casasse com o primeiro amor da minha vida não seria amor verdadeiro.
Que eu nunca iria ter amigos e morreria sozinha. Só porque no colégio eu era meio tímida.
Pois é, era uma bocó!
Sabe, você pode casar aos 68 anos se quiser e o seu amor não será menor por causa disso. E pode usar vestido branco com calda, véu e grinalda, inclusive.
Pode amar 300 vezes e o seu amor não será menos emocionante, excitante e verdadeiro.
Você conhecerá  várias pessoas cada vez que se propor a sair de casa. Seja para ir a um show, shopping, bar ou até mesmo uma volta na praça da sua cidade. E essas várias pessoas te apresentarão várias outras pessoas que vão te apresentar outras várias pessoas... e vocês já sacaram né?
Acreditava que se não me formasse em engenheira, médica ou advogada viraria mendiga e não iria ter nada na vida, seria infeliz financeira, profissional, e emocionalmente e nada daria certo pra mim.
Imagine então quando descobri minha aversão a matemática. Um choque. Terrível.
Vivia em "depressão" porque pensava que se eu não fosse como as mulheres das revistas, filmes ou do tumbrl, nenhum homem iria me achar bonita.
Cara, você pode trabalhar varrendo a rua, cozinhando biscoitos, tirando fotos ou escrevendo textos e se você realmente fizer o seu melhor, acreditar no seu trabalho e se esforçar você vai ser reconhecido e vai realizar seus sonhos.
Existem 7 bilhões de pessoas no mundo, o que é suficiente para suprir todos os gostos não acha?
Homem de verdade gosta de mulher de verdade.
Aquelas de carne, osso e celulite.
Pare de ficar se preocupando só com os seus defeitos e comece a enxergar suas qualidades também.
Quando entrei na fase "meninas beijam meninos" (sem carácter homofóbico, por favor, é apenas minha opção sexual) eu acreditava que todo e qualquer menino com quem tivesse contato deveria ser um possível pretendente.
Olha, vocês não tem noção de como é bom sair com um cara sem se preocupar com o que falar, fazer, agir, vestir, se sua roupa bagunçou ou se sua maquiagem borrou.
Você não precisa e nem deve ficar com todo o cara que aparecer na sua frente. É muito mais divertido (e saudável) ter amizades masculinas, do que ter apenas "caras com os quais já fiquei por ai".
Percebi o quanto nossa vida e nossa mente são manipuláveis e que todos podem enlouquecer e que a única pessoa que pode parar isso somos nós mesmos.
Apendi que virar adulto exige que você enlouqueça um pouco.
Chutar o balde.
Tacar o foda-se.
Correr atrás do que VOCÊ quer.
Nem todos vão entender, mas se você fizer o que os outros querem quem vai se foder é você.
Aprendi que tudo muda. E as vezes é para melhor.
Somos ansiosos.
Somos sonhadores.
Todos nós.
Mesmo que neguemos, vivemos remoendo e vivendo em prol de sonhos com um futuro diferente.
Um futuro melhor.
O que não vale é viver pulando etapas. Vivendo o futuro e esquecendo o presente.
A vida sempre nos guarda muitas surpresas.
E no final das contas essa é a grande diversão de se viver.
Se você soubesse de tudo que vai acontecer, que graça teria?
Na real eu não sei é de nada ainda.
Nem preenchi todos os dedos da mão e do pé juntos, rs
E nem precisam se preocupar se um dia eu souber, com certeza compartilharei com vocês.
Beijos,
Marcelly.

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